A "Aldeia do Euro" foi construída ao ar livre perto do centro de Neuchâtel, num espaço com capacidade para cerca de três mil pessoas, para todos os adeptos que não conseguiram bilhetes para os jogos das suas selecções.
Lá dentro, vão ser montados 60 stands, onde há pelo menos um reservado aos adeptos portugueses.
A iniciativa foi da Casa do Benfica de Neuchatêl, do Centro Português de Neuchâtel, e do Centro Português de La Chaux-de-Fonds, uma localidade próxima da cidade que vai acolher a selecção nacional, e de instituições que contam com o apoio da Sousa Vins, uma empresa importadora de produtos portugueses.
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"Vamos ter um espaço de 200 metros quadrados com comida e bebida portuguesa, um ecrã gigante na rua e duas televisões plasmas mais resguardadas, caso comece a chover", explicou à Agencia Lusa António Castanho, presidente da Casa do Benfica.
António Castanho disse ainda que naquele espaço, situado entre o hotel onde vai estar instalada a selecção e o estádio onde a equipa das Quinas vai treinar, vão passar também o cantor Toy, tunas académicas, ranchos folclóricos e marchas populares.
Alguns destes grupos e artistas vão actuar também nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Este ano, as celebrações oficiais do 10 de Junho na Suíça vão decorrer em Neuchâtel.
O presidente da Casa do Benfica disse ainda que, a 23 de Junho, e para assinalar o dia de S. João, o stand vai oferecer sardinhas assadas "a todas as pessoas que apareçam na Aldeia do Euro".
Admitindo que gostava de começar a preparar o stand com alguma antecedência, António Castanho lamentou que as autoridades suíças sejam "restritas" em alguns aspectos e só permitam trabalhos no espaço da "Aldeia do Euro" na véspera de começar o Euro2008, a 6 de Junho, ao fim do dia.
"É por causa do barulho; a pacatez da cidade não pode ser alterada", afirmou um emigrante.
Devido às restrições das autoridades suíças, o presidente da Casa do Benfica está também em negociações para que seja permitidas manifestações nas ruas durante uma hora depois dos jogos de Portugal.
"Também não querem autorizar bandeiras fora das janelas dos carros para não aleijar os peões", acrescentou o português que se mostrou conformado com as normas impostas pelas autoridades suíças.
Devido às normas suíças, António Castanho disse que também "não há nada de oficial nas ruas a indicar que a Suíça está a organizar o Europeu de futebol".
"As únicas coisas que denunciam o Euro2008 são as muitas bandeiras portuguesas penduradas nas janelas e uma placa nas entradas da cidade que dizem que Neuchâtel recebe a selecção portuguesa", afirmou.
Para a recepção de boas-vindas à selecção, as três associações estão a pedir aos seus sócios e amigos para se juntarem junto ao hotel onde vão estar os jogadores portugueses.
No entanto, essa ideia pode não se concretizar porque na quinta-feira as autoridades suíças "taparam" o hotel, situação que desagradou ao presidente do Centro Português de Neuchâtel.
"Eles querem controlar tudo. Até cercaram o hotel com um pano preto de cerca de dois metros de altura para tapar a visão das pessoas que querem ver a selecção", disse Delfim Ramos.
De acordo com o português, no centro de Neuchâtel, estão já colocados sinais de trânsito de "proibido buzinar".
Também a "Aldeia do Euro" vai ter restrições dada a sua proximidade com zonas habitacionais: os ecrãs gigantes não podem ultrapassar a medidas impostas (seis por 2,5 metros) e o espaço tem de fechar às 23:00 durante a semana e às 00:00 ao fim-de-semana.
O centro da cidade, onde se situa o hotel que vai acolher a Selecção Nacional, também não é excepção: além do pano preto colocado em seu redor, a rua nas suas traseiras está fechada, o jardim público contíguo também e no lago adjacente foram colocadas bóias que impedem os barcos de se aproximaram da margem.
Em declarações à Lusa, o porta-voz da polícia cantonal de Neuchâtel garantiu que "não vai haver restrições" colocadas pelas autoridades suíças "aos festejos dos adeptos portugueses da selecção nacional de futebol".
Pascale Lhti afirmou que as autoridades suíças "não querem controlar os adeptos portugueses" e que estes vão poder manifestar-se "em todas as partes da cidade".
"A aproximação das autoridades suíças aos adeptos vai sempre ser simpática e dialogante. Não tenho conhecimento de qualquer restrição relativa ao movimento dos adeptos na cidade para festejar", assegurou.
Em Neuchâtel residem cerca de 12 mil portugueses, a maior comunidade estrangeira da cidade, que trabalham sobretudo nos sectores da construção civil, indústria, hotelaria e gastronomia e serviços de limpeza.
Neuchâtel quer tornar-se no "21º distrito português durante o mês de Junho"
Gastronomia portuguesa nos restaurantes suíços, tunas académicas e um comboio com slogans em português são algumas iniciativas dos responsáveis do Turismo em Neuchâtel,na Suíça, que querem transformar a cidade no "21º distrito português" durante o Euro2008.
Um panfleto escrito em português, e divulgado na Internet pelo centro de Turismo de Neuchâtel, anuncia a promoção de várias iniciativas dirigidas aos adeptos portugueses, destacando que os suíços se sentem "orgulhosos por acolher a equipa nacional de futebol de Portugal" durante o Euro 2008, que se disputa a partir de 7 de Junho na Suíça e na Áustria.
Em declarações à Agência Lusa, o responsável do centro de Turismo de Neuchâtel, Jerôme Longaretti, disse que vários restaurantes da cidade vão servir pratos típicos portugueses e preparar menus especiais para os adeptos.
Irá também circular pela cidade um "pequeno comboio turístico onde foi acrescentado um slogan em português", revelou.
Jerôme Longaretti disse ainda que estão a ser preparados eventos com grupos de música portuguesa, fados de Coimbra e tunas académicas.
Até ao final do Euro2008, o centro de Neuchâtel vai ser animado com música e com grupos de dança.
De acordo com o responsável, "já há muitas bandeiras expostas em toda a cidade, especialmente portuguesas e suíças, muitos bares e cafés estão a reforçar o seu stock de projectores para transmitir os jogos e já se nota um grande ambiente de festa".
O centro comercial e desportivo La Maladire, que se situa no estádio onde a selecção nacional vai treinar, ofereceu um "curso relâmpago" de português aos seus 500 funcionários.
"Demos-lhes uma lição de 45 minutos na passada segunda-feira; apareceram 80 pessoas", disse à Lusa o director do centro comercial, Yves Buergin.
Admitindo que é "impossível ensinar" uma língua em tão pouco tempo, o responsável afirmou que o objectivo foi "sensibilizar os funcionários" para o português.
"Demos-lhes um pequeno léxico Francês-Português com algumas palavras básicas: bem-vindos, olá, adeus, obrigado", indicou.
O relvado onde Portugal vai treinar fica no último piso do centro comercial La Maladire e Yves Buergin espera que "antes de irem assistir aos treinos, os portugueses visitem as lojas e façam muitas compras".
Com Lusa
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